Mulher pesquisadora entrevistando uma senhora em uma calçada no centro da cidade, usando um tablet durante uma pesquisa no plano de governo.

Pesquisa no plano de governo: o caminho para propostas que conquistam votos e levam à vitória

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José Roberto Martins

Jornalista e Especialista em Comunicação Governamental e Marketing Político | IDP Brasília

Ouvir de perto o que a população sente e precisa é o jeito mais seguro de criar ideias fortes, que inspiram, mobilizam e abrem caminho para vencer a eleição.

Na elaboração de um plano de governo, não basta ter boas intenções ou contar com o sexto sentido, também chamado de achismo… É preciso entender o que a população realmente sente, deseja e espera de um futuro governo.

A pesquisa no plano de governo é o alicerce que transforma intenção em proposta concreta. Em 2026, o Brasil terá eleições para governadores e presidente da República. Por lei, os candidatos a esses cargosprecisam registrar um plano de governo no TSE. Sem esse documento, a candidatura não é deferida.

Bom, já que o plano é obrigatório, que também seja bem fundamentado, claro e conectado às pessoas.

Como fazer isso? É o que vamos ver neste artigo!

Por que fazer pesquisa antes de propor?

Um dos erros mais comuns de candidatos e suas equipes é começar pela resposta: pensar primeiro nas soluções, antes de entender os problemas. Porém, antes de prometer, é preciso ouvir e entender:

  • O que está doendo?
  • Com o que as pessoas estão frustradas ou esperançosas?
  • O que é prioridade?
  • Onde a vida emperra?

Planos relevantes nascem de perguntas certas, não de respostas apressadas.

Portanto, pesquisa não é luxo, é método para ancorar decisões na realidade das pessoas. Ao aplicar técnicas de pesquisa no plano de governo, percepções dispersas viram diagnósticos consistentes que orientam propostas viáveis e mensuráveis.

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Que tipo de pesquisa usar?

Antes de escrever qualquer proposta, é preciso entender como as pessoas vivem os problemas, como enxergam suas necessidades e como descrevem a própria rotina. O processo começa com pesquisa no sentido amplo: ouvir, observar e organizar informações para compreender a realidade e só depois transformá-la em ação. Para isso, existem vários caminhos possíveis:

1) Grupos focais

Reúnem pessoas com características parecidas para conversar sobre um tema. Esse formato permite observar como os argumentos se formam, quais pontos geram concordância ou conflito e quais problemas aparecem com mais força quando discutidos em grupo. É uma técnica útil parainvestigar hipóteses, captar nuances e aprofundar temas.

2) Pesquisas qualitativas digitais

Formulários com perguntas abertas, questionários simples e conversas online ajudam a captar como as pessoas sentem o problema no dia a dia. Esses relatos revelam detalhes que não aparecem nos números e, por conseguinte, mostram expectativas importantes para o diagnóstico.

3) Entrevistas narrativas e entrevistas em profundidade

São conversas mais longas, com espaço para histórias, memórias e percepções. Elas mostram onde a vida trava, o que já foi tentado, o que não funcionou e o que a pessoa acredita que poderia melhorar. Ou seja, permitem compreender as causas e não só os sintomas.

4) Escuta setorial e com especialistas

Médicos, professores, agentes comunitários, empreendedores e lideranças locais, entre outras pessoas, conhecem a rotina e os gargalos de perto. Ouvir quem vive o problema todos os dias traz clareza sobre processos que falham, soluções possíveis e impactos diretos na população. Essa escuta, como resultado, amplia a qualidade do diagnóstico.

5) Oficinas temáticas e rodas de conversa

Encontros presenciais ou virtuais ajudam a identificar consensos, divergências e prioridades coletivas. Grupos diferentes podem relatar percepções distintas sobre saúde, transporte ou segurança, o que permite enxergar o problema por vários ângulos.

6) Dados espontâneos e netnografia

Comentários, enquetes e discussões em redes sociais revelam padrões de reclamação, temas quentes e mudanças de humor da população. Esse material mostra preocupações que já circulam no cotidiano mesmo quando as pessoas não participam de pesquisas formais.

7) Diagnóstico documental e análise de dados oficiais

Relatórios públicos, indicadores de governo e bases como IBGE, Datasus e INEP mostram o tamanho dos problemas, onde estão concentrados e como evoluíram. Esses dados ajudam a calibrar propostas conforme a realidade do território e a capacidade do governo.

8) Escuta política (ouvir o próprio candidato)

O plano precisa ter identidade e direção. Por isso, ouvir o candidato é essencial: seus valores, prioridades, experiências e visão de futuro organizam o rumo do projeto e ajudam o plano a ter maior coerência e propósito.

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O que fazer com os dados coletados?

Coletar é só o começo. Dados isolados não falam por si. É preciso, logo depois, cruzar informações, extrair sentidos e gerar impacto.

Se a saúde “vai mal”, investigue onde a queixa se concentra, quem reclama mais e como isso conversa com dados de atendimento e orçamento. Muitas vezes, quando alguém diz que “falta médico”, não está se referindo necessariamente ao número de profissionais, mas tratando de horário inadequado ou fila longa.

A interpretação correta aponta soluções objetivas. Uma boa prática é organizar os achados em três níveis:

  • Diagnóstico: o que está errado, onde dói, o que precisa mudar.
  • Públicos afetados: quem sente mais, onde vive, faixa etária, ocupação.
  • Oportunidade de solução: ações possíveis, justificadas pelos dados.

Assim, o plano responde a problemas reais e a proposta de valor do candidato tem maior chance de aceitação popular.

Personalizar é tornar relevante

Nas Eleições 2026, para presidente ou governador, personalizar o plano de governo é, antes de tudo, falar com realidades distintas sem perder a unidade do projeto.

Num plano nacional, a personalização aparece quando o documento reconhece as diferenças regionais do país e dialoga com realidades muito distintas: da agricultura familiar às cadeias industriais, das grandes metrópoles às cidades menores, dos territórios tradicionais às regiões de forte expansão urbana. Num plano estadual, esse mesmo princípio se repete em outra escala: as regiões dentro do próprio estado também vivem problemas diferentes, e o que mobiliza a capital pode não ser o que mais pesa no interior.

Para falar ao coração de tantas pessoas, antes é preciso entender o que pensam, sentem e desejam. Ouvir diretamente cada público, com método, é o que evita generalidades e calibra soluções de acordo com a realidade de cada região e segmento social.

Usar técnicas de pesquisa no plano de governo, portanto, permite entender o que as pessoas falam e transformar isso em propostas que façam sentido para a vida delas. Plano de governo que nasce de escuta, nasce mais legítimo. E pode ser apresentado com mais força: “não é só ideia nossa, é desejo real, comprovado.”

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Em resumo: pesquisa no plano de governo é ferramenta estratégica

No terreno de desconfiança que a política brasileira tem pisado, fazer plano de governo baseado em pesquisa e coleta de dados junto às pessoas é, acima de tudo, uma forma concreta de mostrar que a população está sendo levada em conta. Por isso:

  • Pergunte bem para propor melhor
  • Cruze dados, interprete e traduza em ações com orçamento, metas e prazos
  • Personalize sem fragmentar a visão de governo
  • Devolva à população o que foi ouvido e virou proposta
Trabalhar assim é uma decisão que mostra respeito pela população, seriedade com a gestão, inspira confiança e, por consequência, ajuda a construir um caminho de vitória na eleição.