Eleitora assiste à propaganda eleitoral gratuita na televisão, com a mensagem sobre a Lei nº 9.504/1997 exibida na tela durante o horário eleitoral.

Saiba tudo sobre a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV

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José Roberto Martins

Jornalista e Especialista em Comunicação Governamental e Marketing Político | IDP Brasília

Entenda em 11 pontos como funciona o horário eleitoral gratuito nas Eleições 2026 e como o plano de governo ajuda na criação de programas e inserções de rádio e TV.

A propaganda eleitoral gratuita ainda importa. E muito! A propaganda eleitoral gratuita é, para muita gente, o verdadeiro sinal de que a eleição começou. Existe debate nas redes, a política circula o ano inteiro no digital, mas é quando a programação do rádio e da televisão muda que o eleitor comum percebe que precisa decidir o voto.

Isso acontece porque, apesar de toda a transformação no consumo de mídia, rádio e TV aberta seguem com enorme alcance no Brasil. Dados recentes de institutos como a Kantar IBOPE Media mostram que o vídeo atinge praticamente toda a população brasileira e que a TV aberta ainda concentra a maior fatia da audiência (66,2%, em torno de 141,2 milhões de pessoas) quando o consumo acontece na tela da televisão. O rádio tradicional (AM/FM), por outro lado, continua presente no cotidiano de milhões de brasileiros. De acordo com um levantamento também da Kantar IBOPE Media, o rádio atinge 79% da população nas principais regiões metropolitanas, com um tempo médio diário de escuta de 3 horas e 47 minutos.

Gráfico da Kantar IBOPE Media indica que, em dezembro de 2025, a TV aberta concentrou 66,2% do consumo em TVs e CTVs, mostrando por que a propaganda eleitoral gratuita ainda é decisiva para alcançar milhões de eleitores simultaneamente.
Gráfico da Kantar IBOPE Media indica que, em dezembro de 2025, a TV aberta concentrou 66,2% do consumo em TVs e CTVs, mostrando por que a propaganda eleitoral gratuita ainda é decisiva para alcançar milhões de eleitores simultaneamente.

Portanto, a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV segue sendo uma vitrine decisiva da campanha. É ali que candidatos se apresentam, reforçam imagem, explicam propostas e disputam os indecisos. Ignorar esse espaço ou tratá-lo como algo secundário é um erro estratégico.

Vamos tratar disso neste artigo! Para facilitar a leitura, este guia está organizado em 11 pontos que explicam, de forma prática, como funciona a propaganda eleitoral gratuita e como usá-la estrategicamente na campanha.

1. O que é a propaganda eleitoral gratuita e por que ela é estratégica?

A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, conhecida oficialmente como Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE), é o espaço cedido pelas emissoras para que partidos, federações e coligações apresentem seus candidatos durante o período eleitoral.

Ela é regulamentada pela Lei nº 9.504/1997 e por resoluções específicas do Tribunal Superior Eleitoral, como a Resolução nº 23.610, a partir do artigo 48. Não se trata de favor das emissoras, mas de uma obrigação legal, compensada por benefícios fiscais.

Do ponto de vista da campanha, a propaganda eleitoral gratuita tem três características centrais:

  1. Alcance massivo, inclusive entre eleitores menos ativos nas redes sociais
  2. Credibilidade institucional do meio, já que rádio e TV são meios regulados, reconhecidos e socialmente legitimados
  3. Capacidade de organizar narrativas mais longas e consistentes do que posts isolados

Por isso, o horário eleitoral é mais do que um espaço de exposição. Ele é, acima de tudo, um ambiente estratégico de construção de imagem e discurso.

2. Quando começa a propaganda eleitoral gratuita nas Eleições 2026?

No primeiro turno das Eleições 2026, a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa em 28 de agosto e vai até 1º de outubro, totalizando 35 dias de veiculação.

No segundo turno, a exibição ocorre entre 9 e 23 de outubro, com 15 dias de duração.

Saber essas datas é fundamental para o planejamento da campanha, especialmente para quem disputa cargos do Executivo.

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3. Como funciona a distribuição do tempo?

O tempo da propaganda eleitoral gratuita é distribuído com base em dois critérios:

  • 90% do tempo é dividido proporcionalmente ao tamanho das bancadas dos partidos na Câmara dos Deputados, considerando o resultado da última eleição geral, no caso, 2022
  • 10% do tempo é distribuído de forma igualitária entre todos os partidos ou coligações

Nas eleições majoritárias, quando há coligação, apenas os seis maiores partidos da aliança entram no cálculo do tempo de rádio e TV.

Esse modelo explica por que algumas candidaturas têm vários minutos e outras, apenas segundos. E é justamente por isso que estratégia e conteúdo importam tanto quanto o tempo disponível.

4. Quando os candidatos vão saber quanto tempo terão?

O cálculo do tempo exato que caberá a cada candidatura no horário eleitoral é definido a partir de audiências públicas organizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelos Tribunais Regionais Eleitorais.

Essas audiências costumam acontecer após 15 de agosto, quando acaba o prazo para registro de candidaturas. É aí então que se definem o plano de mídia e os horários de exibição, bem como a ordem de veiculação dos programas.

5. Como é definida a ordem de veiculação no horário eleitoral gratuito?

A ordem de exibição dos candidatos nos programas em bloco é definida por sorteio. Quem aparece primeiro em um dia será, em contrapartida, o último no dia seguinte, garantindo rodízio entre as posições de maior audiência.

Essa alternância é importante porque o início e o final dos blocos costumam concentrar mais atenção do público.

6. Quais são os formatos da propaganda eleitoral gratuita?

A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão tem dois formatos:

I. Programas em bloco, em dois horários:

  • No rádio: 7h e 12h
  • Na televisão: 13h e 20h30

No primeiro turno, veiculação de segunda a sábado. No segundo turno, também aos domingos.

II. Inserções

As inserções são veiculadas ao longo da programação, todos os dias da semana, entre 5h da manhã e meia-noite, tanto no rádio quanto na TV. A distribuição respeita faixas de audiência:

  • 5h às 11h
  • 11h às 18h
  • 18h às 24h
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7. Como funcionam os programas em bloco na propaganda eleitoral?

Nas Eleições 2026, em que duas vagas de senador estarão em disputa por estado, os programas eleitorais em bloco têm 25 minutos de duração, organizados assim:

  • Candidatos a deputado federal e presidente da República aparecem às terças, quintas e sábados, com o tempo do bloco dividido igualmente entre os dois cargos.
  • Candidatos a deputado estadual ou distrital, senador e governador aparecem às segundas, quartas e sextas. Os concorrentes a governador ocupam 9 minutos. Os postulantes ao Senado têm 7 minutos. E o restante do tempo, 9 minutos, é reservado para quem concorre a deputado estadual/distrital.

Se houver segundo turno, os programas em bloco terão apenas 10 minutos, divididos meio a meio entre os dois concorrentes.

8. Como funcionam as inserções e por que elas são tão valiosas?

As inserções são os famosos comerciais nos intervalos do rádio e da TV. O primeiro turno tem 70 minutos diários de inserções; o segundo turno, 25 minutos. Cada peça pode ter a duração de 30 ou 60 segundos.

A grande força das inserções está, acima de tudo, no fator surpresa: entram no meio da programação e, justamente por surgirem sem aviso prévio, têm alguns segundos preciosos para prender a atenção do público. Cabe à qualidade da produção, tanto técnica quanto de conteúdo, reter essa atenção.

9. Como entregar programas e inserções às emissoras?

A entrega do material pode ser feita por mídia física ou plataformas digitais (como XR Global e Cape.io), que são sistemas de distribuição de arquivos utilizados pelas emissoras.

Essas plataformas cobram por envio e, portanto, é necessário prever orçamento específico para essa etapa.

10. Como se destacar positivamente na propaganda eleitoral gratuita?

Alguns princípios valem para qualquer candidatura:

  • Qualidade técnica importa: áudio ruim espanta o público, imagem descuidada transmite amadorismo
  • Ambientes naturais funcionam melhor: se possível, saia do estúdio e grave na rua, em contato com pessoas, mostrando situações reais
  • Conteúdo vem antes da estética: produção bonita não salva discurso vazio
  • Linguagem clara e direta: TV e rádio não são lugar para textos acadêmicos
  • Emoção e identificação: política também é afeto, não só argumento técnico
Estúdio profissional grava propaganda eleitoral com alta qualidade técnica, mostrando que imagem e áudio bem produzidos são essenciais para prender a atenção do público.
As pessoas estão acostumadas com programas e comerciais de alta qualidade técnica. Portanto, fazer propaganda eleitoral com qualidade ruim é certeza de espantar o público. Contrate bons profissionais!

Veja algumas sugestões práticas do que fazer na propaganda de TV e rádio

Para candidatos a deputado

O tempo é, de fato, muito curto. Por isso:

  • Vá direto ao assunto
  • Não perca tempo dizendo nome e número, isso já estará escrito na tela
  • Escolha um tema central
  • Evite listas genéricas de promessas
  • Aproveite para convidar o eleitor a conhecer seu site ou redes

Lembre-se: da mesma forma como grandes marcas fazem anúncios de 15 segundos e são lembradas, política também pode aprender com isso.

Para candidatos ao Senado

O foco pode estar no papel institucional do senador, que é legislar, fiscalizar o Executivo, aprovar autoridades, julgar crimes de responsabilidade e defender os interesses do estado.

Explique para o eleitor por que você está preparado para isso e o que pretende fazer no cargo.

Para candidatos ao Executivo

Aqui, planejamento é indispensável. São muitos programas, muitas inserções e pouco tempo para errar. Veja a seguir como o plano de governo é ferramenta essencial!

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11. Onde o plano de governo entra na propaganda eleitoral gratuita?

Para candidaturas aos cargos do Executivo (neste ano, Presidente da República e governadores), o plano de governo é um excelente eixo organizador de tudo o que vai para o ar no rádio e na televisão.

Um bom programa de propaganda eleitoral gratuita combina camadas que precisam conversar entre si:

  • Quem é o candidato (biografia)
  • Quais os problemas reais que as pessoas vivem (diagnóstico)
  • Qual horizonte o candidato propõe para o futuro (propostas)
  • Como ele consegue mobilizar as pessoas (apoios, declarações de voto, imagens de eventos)

O plano de governo entra como ferramenta central

Nos primeiros programas, é natural que a campanha apresente o candidato. Sua história de vida, o percurso profissional, os cargos que ocupou ou, no caso de quem nunca disputou eleição, as funções que exerceu na sociedade ou na vida profissional. Mostrar pai, mãe, filhos, companheira ou companheiro é importante. No horário eleitoral gratuito, especialmente para cargos executivos, família comunica identificação, humanidade e preocupação com o futuro. É o eleitor entendendo que aquele candidato vive dilemas parecidos com os seus.

Mas a campanha não pode parar aí, porque o eleitor precisa enxergar para onde esse candidato quer levar o país ou o estado. É nesse ponto que entram os programas temáticos e as inserções específicas sobre saúde, educação, segurança, transporte, desenvolvimento econômico, emprego, assistência social etc. E todo esse conteúdo já está organizado no plano de governo. Quando o plano de governo é bem feito, ele parte de um diagnóstico real, construído a partir da escuta da população e da análise concreta dos problemas.

Na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, programas eficazes nascem de um plano de governo bem estruturado, capaz de transformar propostas em mensagens que atraem e convencem o eleitor.

Como aplicar na prática o plano de governo no horário eleitoral

O diagnóstico que está no papel precisa ser traduzido para a linguagem do rádio e da TV. Não por meio de dados frios, mas por meio de histórias e pessoas reais.

Se o plano de governo identifica, por exemplo, que a educação estadual enfrenta problemas graves de infraestrutura e qualidade, isso vira roteiro. Na televisão e no rádio, esse diagnóstico aparece na fala de uma mãe que sofre porque o filho estuda em uma escola abandonada, sem estímulo, sem perspectiva. O candidato entra contextualizando, mostrando que entende o problema e apresentando a proposta que está no plano de governo. O diagnóstico vira narrativa. A proposta vira horizonte.

Esse é o ponto central: o plano de governo fornece o conteúdo bruto e a direção estratégica, enquanto a propaganda eleitoral gratuita faz a tradução desse conteúdo para uma linguagem emocional, compreensível e próxima das pessoas. É assim que se constroem bons programas e inserções de TV e rádio na propaganda eleitoral gratuita.

Em outras palavras, conteúdo bom não nasce do nada. Nasce de diagnóstico, proposta e estratégia. Com um plano bem elaborado, cada programa e cada inserção se encaixam dentro de uma narrativa maior, coerente e atraente para o eleitor.

Em resumo: técnica, planejamento e conteúdo

A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV segue sendo uma das principais vitrines da campanha eleitoral no Brasil. Ela alcança simultaneamente milhões de pessoas, influencia indecisos e ajuda a consolidar imagens.

Usar bem esse espaço exige técnica, planejamento e conteúdo. E, para quem disputa cargos do Executivo, o plano de governo é a ferramenta que dá sentido, direção e consistência a tudo o que vai ao ar.

Por isso, na propaganda eleitoral gratuita, o plano de governo deve ser conteúdo vivo, transformado em histórias, personagens, propostas claras e caminhos possíveis para o futuro.

E é essa combinação entre diagnóstico, estratégia e linguagem que diferencia campanhas bem preparadas de campanhas que ocupam o tempo de qualquer jeito.