Conheça um critério que organiza prioridades, dá foco ao que importa e transforma propostas em argumentos para conquistar o eleitor.
Você já se viu com uma quantidade enorme de ideias, todas parecendo importantes, mas sem clareza sobre como resolver o que é prioridade?
Isso pode acontecer com qualquer equipe que leva a sério a elaboração de um plano de governo. Depois de ouvir a população, analisar dados e reunir informações de todo lado, surge um desafio: como transformar esse material em propostas que façam sentido para o eleitor?
Uma resposta consistente está na aplicação da regra 70-20-10 no plano de governo, um critério prático que ajuda a organizar prioridades, dar foco ao que realmente importa e, ao mesmo tempo, facilitar (ou ao menos descomplicar um pouco…) a vida da equipe responsável por transformar diagnóstico em propostas claras, consistentes e com capacidade de mobilizar o eleitor.
O que é a regra 70-20-10?
A regra 70-20-10 é conhecida principalmente no mundo empresarial, frequentemente chamada de “a regra da inovação“. Sua lógica é objetiva:
- 70% da energia deve estar voltada para manter e melhorar o que já existe
- 20% para expandir e modernizar atividades relacionadas
- 10% para iniciativas ousadas, transformadoras, que projetam o futuro
Nem sempre será exata a proporção de 70-20-10, mas isso serve como indicador de equilíbrio entre o crescimento de curto prazo e projetos mais arriscados de longo prazo.
Aqui pra nós interessa fazer um exercício de adaptação para o contexto do processo de elaboração de um plano de governo, essa obrigação que a lei impõe, mas que pode ser cumprida sem tantos sobressaltos. Basta saber como ordenar o processo.
Assim, a regra 70-20-10 no plano de governo pode ser aplicada como um guia de organização de propostas. Ela é uma ajuda para dividir as prioridades entre:
- O que precisa funcionar hoje
- O que pode ser melhorado no médio prazo
- O que deve preparar a cidade, o estado ou o país para as próximas décadas
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A regra 70-20-10 é melhor para continuidade ou mudança?
Falando sobre o contexto de aplicação, a lógica da regra 70-20-10 no plano de governo conversa de forma muito direta com planos de continuidade. Afinal, quando há um governo bem avaliado, faz todo sentido concentrar a maior parte das propostas naquilo que já funciona, reforçando conquistas e indicando aprimoramentos.
Por outro lado, isso não limita o uso da regra a esse cenário. Em planos de mudança, a mesma estrutura pode ser aplicada a partir de outra leitura. Nesse caso, os 70% passam a representar aquilo que precisa funcionar melhor. Ou seja, aquilo que já existe, mas ainda não entrega o que deveria e precisa de reorganização e melhoria.

Como aplicar a regra 70-20-10 no plano de governo
O processo de elaboração de propostas (já falamos mil vezes, mas não custa frisar) deve sempre começar pelo diagnóstico. Então, depois de escutar a população, analisar dados e ter aquela conversa em profundidade com o candidato, ficamos diante de um amplo conjunto de ideias. A lógica 70-20-10 ajuda a organizar tudo:
– 70% (núcleo):
Aqui entram as propostas que garantem o básico, aquilo que o eleitor sente todos os dias. É saúde funcionando bem, escola de qualidade, segurança pra andar nas ruas e responsabilidade na gestão das contas públicas, por exemplo.
– 20% (expansão):
Esse espaço serve para propostas de modernização, que aproveitam estruturas já existentes e as tornam mais eficientes ou ampliadas. Pode ser a informatização da saúde, a ampliação de ensino em tempo integral ou a melhoria no ambiente de negócios.
– 10% (transformação):
São as ideias ousadas, que apontam para o futuro. Aposta em inovação tecnológica, mudança da matriz econômica local, foco em energias limpas, cidades inteligentes ou mesmo novas formas de participação social.
Exemplos práticos:
A aplicação da regra pode variar de acordo com o cargo. Nas Eleições 2026, os cargos executivos em disputa são os de governadores e presidente da República. Mas vamos incluir também os prefeitos, embora as Eleições 2028 estejam um pouco distantes, mas é para termos um quadro comparativo. Veja uma ideia de como isso pode funcionar:
| CARGO | 70% – NÚCLEO | 20% – EXPANSÃO | 10% – TRANSFORMAÇÃO |
| Prefeito | Saúde básica, transporte coletivo, educação infantil, pavimentação, limpeza urbana. | Escolas de tempo integral, informatização da saúde, programas culturais e esportivos em bairros periféricos. | Cidade inteligente, transição energética municipal, orçamento participativo digital. |
| Governador | Rede estadual de ensino, hospitais regionais, segurança pública, rodovias estaduais, equilíbrio fiscal. | Ensino técnico-profissionalizante, telemedicina no interior, integração de transporte metropolitano. | Estado líder em energia limpa, transformação digital do governo, polos de inovação tecnológica. |
| Presidente | Fortalecimento do SUS, programas sociais, segurança pública integrada, responsabilidade fiscal. | Apoio a pequenas e médias empresas, investimentos em infraestrutura, reindustrialização em setores estratégicos. | Brasil carbono neutro, liderança em energias renováveis, transformação digital da máquina pública, política industrial verde. |
Por que estruturar propostas dessa forma?
A principal vantagem aqui é dar concretude. Quando o eleitor lê um plano de governo estruturado pela regra 70-20-10, ele consegue enxergar melhor o que será feito no presente, quais melhorias serão entregues no médio prazo e qual é a visão de futuro do candidato.
Isso torna o plano de governo mais compreensível, evita o risco de cair em promessas genéricas e cria uma narrativa organizada para conquistar votos, além de dar uma base sólida para o futuro mandato.
A regra 70-20-10 ajuda a ganhar tempo na elaboração do plano de governo
À medida que o calendário eleitoral avança e os prazos vão se estreitando, o tempo disponível para estruturar um bom plano de governo também diminui. E isso já está acontecendo.
Nesse cenário, aplicar a regra 70-20-10 no plano de governo ajuda a dar agilidade ao processo. Em vez de se perder em uma lista extensa de propostas, a equipe passa a trabalhar com um critério claro de organização. Portanto, pode ganhar tempo, diminuir retrabalho e aumentar a consistência do resultado final.
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Em resumo: clareza, equilíbrio e capacidade de convencer
Aplicar a regra 70-20-10 no plano de governo ajuda a dar forma ao conjunto de propostas após o diagnóstico. Além disso:
- Oferece um critério de organização para a equipe
- Diminui retrabalho
- Evita que o processo avance de forma desordenada, com gente batendo cabeça sem direção clara
Por tudo que temos conversado deste o início deste blog, fica muito claro que, com um plano de governo bem estruturado e redigido, o candidato sustenta melhor seus argumentos, se posiciona com mais segurança e demonstra preparo diante do eleitor e dos adversários. Isso fortalece a candidatura e amplia a capacidade de convencer o eleitor.



