Duas pessoas estão de frente para um quadro branco organizando um plano de governo com a regra 70-20-10. No topo do quadro está escrito “Regra 70-20-10 no plano de governo”. A superfície está dividida em três colunas: à esquerda, a área de 70% com vários post-its cor-de-rosa; ao centro, a área de 20% com post-its verdes; à direita, a área de 10% com post-its azuis. A pessoa à esquerda, vista de costas, usa blusa azul e prende o cabelo com um acessório amarelo, enquanto posiciona um post-it na coluna central. A pessoa à direita, com cabelo preso e vestindo roupa preta e branca, fixa um post-it azul na última coluna. O quadro também tem pequenos ímãs coloridos nas laterais, e o ambiente é claro, com parede branca ao fundo.

Como a regra 70-20-10 ajuda a estruturar propostas no plano de governo

Foto de José Roberto Martins

José Roberto Martins

Jornalista e Especialista em Comunicação Governamental e Marketing Político | IDP Brasília

Conheça um critério que organiza prioridades, dá foco ao que importa e transforma propostas em argumentos para conquistar o eleitor.

Você já se viu com uma quantidade enorme de ideias, todas parecendo importantes, mas sem clareza sobre como resolver o que é prioridade?

Isso pode acontecer com qualquer equipe que leva a sério a elaboração de um plano de governo. Depois de ouvir a população, analisar dados e reunir informações de todo lado, surge um desafio: como transformar esse material em propostas que façam sentido para o eleitor?

Uma resposta consistente está na aplicação da regra 70-20-10 no plano de governo, um critério prático que ajuda a organizar prioridades, dar foco ao que realmente importa e, ao mesmo tempo, facilitar (ou ao menos descomplicar um pouco…) a vida da equipe responsável por transformar diagnóstico em propostas claras, consistentes e com capacidade de mobilizar o eleitor.

O que é a regra 70-20-10?

A regra 70-20-10 é conhecida principalmente no mundo empresarial, frequentemente chamada de “a regra da inovação“. Sua lógica é objetiva:

  • 70% da energia deve estar voltada para manter e melhorar o que já existe
  • 20% para expandir e modernizar atividades relacionadas
  • 10% para iniciativas ousadas, transformadoras, que projetam o futuro

Nem sempre será exata a proporção de 70-20-10, mas isso serve como indicador de equilíbrio entre o crescimento de curto prazo e projetos mais arriscados de longo prazo.

Aqui pra nós interessa fazer um exercício de adaptação para o contexto do processo de elaboração de um plano de governo, essa obrigação que a lei impõe, mas que pode ser cumprida sem tantos sobressaltos. Basta saber como ordenar o processo.

Assim, a regra 70-20-10 no plano de governo pode ser aplicada como um guia de organização de propostas. Ela é uma ajuda para dividir as prioridades entre:

  • O que precisa funcionar hoje
  • O que pode ser melhorado no médio prazo
  • O que deve preparar a cidade, o estado ou o país para as próximas décadas

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A regra 70-20-10 é melhor para continuidade ou mudança?

Falando sobre o contexto de aplicação, a lógica da regra 70-20-10 no plano de governo conversa de forma muito direta com planos de continuidade. Afinal, quando há um governo bem avaliado, faz todo sentido concentrar a maior parte das propostas naquilo que já funciona, reforçando conquistas e indicando aprimoramentos.

Por outro lado, isso não limita o uso da regra a esse cenário. Em planos de mudança, a mesma estrutura pode ser aplicada a partir de outra leitura. Nesse caso, os 70% passam a representar aquilo que precisa funcionar melhor. Ou seja, aquilo que já existe, mas ainda não entrega o que deveria e precisa de reorganização e melhoria.

Alt text:

Gráfico em formato de funil com o título “Regra 70-20-10 no Plano de Governo”. O funil é dividido em três partes coloridas: uma área maior em vermelho representando 70%, associada à frase “Precisa funcionar hoje”; uma área intermediária em verde representando 20%, com a indicação “Pode ser melhorado no médio prazo”; e uma área menor em azul representando 10%, acompanhada da frase “Deve preparar para as próximas décadas”. Setas apontam para cada uma das três partes, indicando a proporção e o foco temporal das ações no plano de governo.

Como aplicar a regra 70-20-10 no plano de governo

O processo de elaboração de propostas (já falamos mil vezes, mas não custa frisar) deve sempre começar pelo diagnóstico. Então, depois de escutar a população, analisar dados e ter aquela conversa em profundidade com o candidato, ficamos diante de um amplo conjunto de ideias. A lógica 70-20-10 ajuda a organizar tudo:

–      70% (núcleo):

Aqui entram as propostas que garantem o básico, aquilo que o eleitor sente todos os dias. É saúde funcionando bem, escola de qualidade, segurança pra andar nas ruas e responsabilidade na gestão das contas públicas, por exemplo.

–      20% (expansão):

Esse espaço serve para propostas de modernização, que aproveitam estruturas já existentes e as tornam mais eficientes ou ampliadas. Pode ser a informatização da saúde, a ampliação de ensino em tempo integral ou a melhoria no ambiente de negócios.

–      10% (transformação):

São as ideias ousadas, que apontam para o futuro. Aposta em inovação tecnológica, mudança da matriz econômica local, foco em energias limpas, cidades inteligentes ou mesmo novas formas de participação social.

Exemplos práticos:

A aplicação da regra pode variar de acordo com o cargo. Nas Eleições 2026, os cargos executivos em disputa são os de governadores e presidente da República. Mas vamos incluir também os prefeitos, embora as Eleições 2028 estejam um pouco distantes, mas é para termos um quadro comparativo. Veja uma ideia de como isso pode funcionar:

CARGO70% – NÚCLEO20% – EXPANSÃO10% – TRANSFORMAÇÃO
PrefeitoSaúde básica, transporte coletivo, educação infantil, pavimentação, limpeza urbana.Escolas de tempo integral, informatização da saúde, programas culturais e esportivos em bairros periféricos.Cidade inteligente, transição energética municipal, orçamento participativo digital.
GovernadorRede estadual de ensino, hospitais regionais, segurança pública, rodovias estaduais, equilíbrio fiscal.Ensino técnico-profissionalizante, telemedicina no interior, integração de transporte metropolitano.Estado líder em energia limpa, transformação digital do governo, polos de inovação tecnológica.
PresidenteFortalecimento do SUS, programas sociais, segurança pública integrada, responsabilidade fiscal.Apoio a pequenas e médias empresas, investimentos em infraestrutura, reindustrialização em setores estratégicos.Brasil carbono neutro, liderança em energias renováveis, transformação digital da máquina pública, política industrial verde.

Por que estruturar propostas dessa forma?

A principal vantagem aqui é dar concretude. Quando o eleitor lê um plano de governo estruturado pela regra 70-20-10, ele consegue enxergar melhor o que será feito no presente, quais melhorias serão entregues no médio prazo e qual é a visão de futuro do candidato.

Isso torna o plano de governo mais compreensível, evita o risco de cair em promessas genéricas e cria uma narrativa organizada para conquistar votos, além de dar uma base sólida para o futuro mandato.

A regra 70-20-10 ajuda a ganhar tempo na elaboração do plano de governo

À medida que o calendário eleitoral avança e os prazos vão se estreitando, o tempo disponível para estruturar um bom plano de governo também diminui. E isso já está acontecendo.

Nesse cenário, aplicar a regra 70-20-10 no plano de governo ajuda a dar agilidade ao processo. Em vez de se perder em uma lista extensa de propostas, a equipe passa a trabalhar com um critério claro de organização. Portanto, pode ganhar tempo, diminuir retrabalho e aumentar a consistência do resultado final.

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Em resumo: clareza, equilíbrio e capacidade de convencer

Aplicar a regra 70-20-10 no plano de governo ajuda a dar forma ao conjunto de propostas após o diagnóstico. Além disso:

  • Oferece um critério de organização para a equipe
  • Diminui retrabalho
  • Evita que o processo avance de forma desordenada, com gente batendo cabeça sem direção clara

Por tudo que temos conversado deste o início deste blog, fica muito claro que, com um plano de governo bem estruturado e redigido, o candidato sustenta melhor seus argumentos, se posiciona com mais segurança e demonstra preparo diante do eleitor e dos adversários. Isso fortalece a candidatura e amplia a capacidade de convencer o eleitor.

Em uma eleição, essa diferença na forma de comunicar e sustentar ideias pode ser decisiva para conquistar votos e alcançar a vitória!