Entenda como usar levantamentos já publicados para fortalecer o diagnóstico e dar mais consistência ao conjunto de propostas.
Nem toda campanha consegue investir em pesquisa própria. Isso é uma limitação real e bastante comum na hora de elaborar um plano de governo.
Ainda assim, existe uma solução acessível: utilizar pesquisas de opinião já publicadas por institutos reconhecidos. Esses materiais são atualizados com bastante frequência e refletem, quase em tempo real, o que está no radar da população.
As informações têm potencial de ajudar muito na fase do diagnóstico, porque revelam como a população percebe a realidade, quais são suas principais preocupações e de que forma avalia o cenário político.
Portanto, vale olhar com atenção para o que já está disponível. Este artigo destaca algumas pesquisas recentes que podem ser de grande valia para calibrar seu plano de governo.
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Ipsos: percepção social, prioridades e humor do eleitor
A Ipsos tem publicado uma série de levantamentos que ajudam a entender o clima do país e as principais preocupações da população.
Alguns exemplos relevantes:
- Preferência partidária e eleitores sem identificação política: a pesquisa PT e PL são os partidos preferidos dos brasileiros, mas um terço não se identifica com nenhuma siglamostra o tamanho do grupo que não se sente representado por partidos.
- Principais preocupações dos brasileiros:crime e violência aparecem em primeiro lugar, ao mesmo tempo em que o crescimento da corrupção preocupa brasileiros.
- Avaliação da atuação do Governo Federal em diversas áreas: permite identificar onde há maior desgaste ou insatisfação.
- Nível de felicidade da população: a pesquisa Pessoas estão mais felizes em 2026 do que 12 meses atrás ajuda a entender o pano de fundo emocional do eleitor.
Mais pesquisas Ipsos podem ser encontradas neste link.
Datafolha: comportamento eleitoral e sentimento do eleitor
O Datafolha segue sendo uma das principais referências para leitura do cenário político e do comportamento do eleitor. Seguem dois destaques:
- Acompanhamento de eleitores indecisos: com base no perfil dos indecisos que aparecem nas pesquisas do Datafolha, a Folha de S.Paulo está acompanhando durante o ano eleitoral alguns eleitores. Nesse sentido, o que eles dizem traz insights importantes sobre como o eleitor pensa e decide. Aqui está uma das reportagens: Folha ouve indecisos da eleição de 2026
- Levantamentos sobre humor da população: um sentimento negativo prevalece no Brasil a caminho das Eleições 2026: medo e insegurança dominam humor pré-eleitoral

Mais pesquisas Datafolha podem ser encontradas neste link.
Quaest: percepção política e impacto de acontecimentos
Sempre em meio às pesquisas de intenção de voto, a Quaest traz outros dados importantes. Além disso, há pesquisas qualitativas específicas, como esta, que investiga o impacto da prisão de Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e como o escândalo influencia as tendências de voto ao moldar a percepção pública sobre danos de imagem e credibilidade institucional.
Mais pesquisas Quaest podem ser encontradas neste link.
Meio/Ideia: cenário político e impacto na decisão de voto
Em mais uma pesquisa sobre intenção de voto para presidente da República nas Eleições 2026, o Meio/Ideia trouxe insights sobre endividamento e custo de vida, temas tidos como fundamentais para a decisão do voto, além de detectar uma informação bastante preciosa: 51% do eleitorado ainda pode mudar de candidato até outubro
Mais pesquisas Meio/Ideia podem ser encontradas neste link.
Como usar essas pesquisas no plano de governo
Logicamente que, ao utilizar esses materiais, a sua candidatura estará acessando informações que todos os seus adversários também terão, porque são públicas. Ainda assim, isso não reduz o valor dessas informações. Pelo contrário, reforça a necessidade de saber utilizá-las melhor.
Então, aproveite e não deixe de observar três pontos:
- Quais temas aparecem com mais frequência nas pesquisas
- Quais sentimentos se repetem na percepção da população
- Quais padrões se confirmam quando se comparam diferentes institutos
Esse tipo de leitura já permite identificar prioridades e organizar uma linha de raciocínio mais conectada com a realidade.
O mais importante sempre é a capacidade de analisar os dados, cruzar informações, fazer inferências, extrair percepções, a partir do conjunto de dados e de todo o conhecimento acumulado pelo candidato, sua equipe, seus aliados e os profissionais de comunicação e marketing. Nesse sentido, a qualidade da análise pesa mais do que a quantidade de dados disponíveis. Por isso, é crucial ter profissionais da área para organizar isso tudo.
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Em resumo
Utilizar pesquisas de opinião já publicadas por institutos reconhecidos é uma estratégia inteligente e acessível para plano de governo de campanhas que não podem investir em levantamentos próprios.
Mais do que isso, essas informações cumprem um papel central dentro do diagnóstico, que é o alicerce de um plano de governo. É a partir dele que as propostas ganham direção e coerência.



