Homem sentado à mesa utilizando um notebook para analisar gráficos e dados em tela, com caderno e pasta ao lado, representando o uso de **pesquisas no plano de governo** para organizar informações, interpretar cenários e embasar decisões estratégicas na elaboração de propostas.

Sem dinheiro para pesquisas? Veja alternativas que ajudam a construir um plano de governo mais sólido

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José Roberto Martins

Jornalista e Especialista em Comunicação Governamental e Marketing Político | IDP Brasília

Entenda como usar levantamentos já publicados para fortalecer o diagnóstico e dar mais consistência ao conjunto de propostas.

Nem toda campanha consegue investir em pesquisa própria. Isso é uma limitação real e bastante comum na hora de elaborar um plano de governo.

Ainda assim, existe uma solução acessível: utilizar pesquisas de opinião já publicadas por institutos reconhecidos. Esses materiais são atualizados com bastante frequência e refletem, quase em tempo real, o que está no radar da população.

As informações têm potencial de ajudar muito na fase do diagnóstico, porque revelam como a população percebe a realidade, quais são suas principais preocupações e de que forma avalia o cenário político.

Portanto, vale olhar com atenção para o que já está disponível. Este artigo destaca algumas pesquisas recentes que podem ser de grande valia para calibrar seu plano de governo.

LEIA TAMBÉM:

Ipsos: percepção social, prioridades e humor do eleitor

A Ipsos tem publicado uma série de levantamentos que ajudam a entender o clima do país e as principais preocupações da população.

Alguns exemplos relevantes:

Mais pesquisas Ipsos podem ser encontradas neste link.

Datafolha: comportamento eleitoral e sentimento do eleitor

O Datafolha segue sendo uma das principais referências para leitura do cenário político e do comportamento do eleitor. Seguem dois destaques:

  • Acompanhamento de eleitores indecisos: com base no perfil dos indecisos que aparecem nas pesquisas do Datafolha, a Folha de S.Paulo está acompanhando durante o ano eleitoral alguns eleitores. Nesse sentido, o que eles dizem traz insights importantes sobre como o eleitor pensa e decide. Aqui está uma das reportagens: Folha ouve indecisos da eleição de 2026
  • Levantamentos sobre humor da população: um sentimento negativo prevalece no Brasil a caminho das Eleições 2026: medo e insegurança dominam humor pré-eleitoral
Boa observação. A frase realmente estava induzindo a uma leitura errada.

Segue versão ajustada, clara e sem ambiguidade:

Gráfico de linhas mostra que cerca de 61% dos brasileiros dizem ter medo do futuro, enquanto a confiança permanece menor e em queda ao longo do tempo, segundo pesquisa Datafolha; esse cenário de insegurança ajuda a orientar análises e o uso de pesquisas no plano de governo.
Mais pesquisas Datafolha podem ser encontradas neste link.

Quaest: percepção política e impacto de acontecimentos

Sempre em meio às pesquisas de intenção de voto, a Quaest traz outros dados importantes. Além disso, há pesquisas qualitativas específicas, como esta, que investiga o impacto da prisão de Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e como o escândalo influencia as tendências de voto ao moldar a percepção pública sobre danos de imagem e credibilidade institucional.

Mais pesquisas Quaest podem ser encontradas neste link.

Meio/Ideia: cenário político e impacto na decisão de voto

Em mais uma pesquisa sobre intenção de voto para presidente da República nas Eleições 2026, o Meio/Ideia trouxe insights sobre endividamento e custo de vida, temas tidos como fundamentais para a decisão do voto, além de detectar uma informação bastante preciosa: 51% do eleitorado ainda pode mudar de candidato até outubro

Mais pesquisas Meio/Ideia podem ser encontradas neste link.

Como usar essas pesquisas no plano de governo

Logicamente que, ao utilizar esses materiais, a sua candidatura estará acessando informações que todos os seus adversários também terão, porque são públicas. Ainda assim, isso não reduz o valor dessas informações. Pelo contrário, reforça a necessidade de saber utilizá-las melhor.

Então, aproveite e não deixe de observar três pontos:

  1. Quais temas aparecem com mais frequência nas pesquisas
  2. Quais sentimentos se repetem na percepção da população
  3. Quais padrões se confirmam quando se comparam diferentes institutos

Esse tipo de leitura já permite identificar prioridades e organizar uma linha de raciocínio mais conectada com a realidade.

O mais importante sempre é a capacidade de analisar os dados, cruzar informações, fazer inferências, extrair percepções, a partir do conjunto de dados e de todo o conhecimento acumulado pelo candidato, sua equipe, seus aliados e os profissionais de comunicação e marketing. Nesse sentido, a qualidade da análise pesa mais do que a quantidade de dados disponíveis. Por isso, é crucial ter profissionais da área para organizar isso tudo.

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Em resumo

Utilizar pesquisas de opinião já publicadas por institutos reconhecidos é uma estratégia inteligente e acessível para plano de governo de campanhas que não podem investir em levantamentos próprios.

Mais do que isso, essas informações cumprem um papel central dentro do diagnóstico, que é o alicerce de um plano de governo. É a partir dele que as propostas ganham direção e coerência.

Com essas referências, mesmo que públicas, a candidatura escapa do risco de patinar no achismo e pode construir um plano de governo mais alinhado a expectativas e necessidades da população nas Eleições 2026.